A miséria de Vargem Grande e do Maranhão tem jeito

Pobreza e atraso. Este é o rosto do Maranhão para o restante do país. No Jornal Nacional de ontem (18), mais uma evidência do descaso dos governantes do Estado (governo Estadual e prefeituras). A reportagem classificou vargem Grande como sendo uma cidade de extrema pobreza, pois com seus quase 50 mil habitantes, 36% da população vive com a renda de até R$ 70.

A equipe do “JN no Ar” encontrou muita gente sofrendo, reclamando por falta d’água e também usando uma água muito barrenta, que era só o que tinha. São brasileiros de Vargem Grande, no interior do Maranhão, que mal ganham para comer. Se eles tivessem percorrido mais municípios, teriam encontrado pobreza ainda maior, que por vezes, não são refletidas nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE).

“A gente compra um quilo de carne, um fardo de arroz, e o que sobra? Nada. Mas a gente ainda precisa da roupa, do calçado, da rede para dormir”, lamenta Dona Marlene, mais uma maranhense que sofre e nos trás a vergonha e a revolta da forma como o povo do nosso estado vive.

Não fosse a ajuda, que ainda é muito pequena, do governo federal, a situação seria parecida com os mais miseráveis países africanos, onde crianças lutam para não serem comidas vivas por urubus. Nesta sexta-feira (18), por exemplo, era dia de entrega do Bolsa Família. A fila era grande desde as primeiras horas da manhã. 

Dona Maria José e as duas filhas vivem com R$ 134, por mês, do Bolsa Família. Mas tem uma hora do mês que o dinheiro acaba e a comida também. Há cinco dias, só tem arroz para comer.

“É um município pobre e que não tem rendas próprias, infelizmente a gente tem que depender do Governo Federal e do governo do estado para que a gente possa fazer alguma coisa em benefício da população”, reclamou Miguel Fernandes (PMDB), prefeito de Vargem Grande. Olha que ele é do partido da governadora Roseana Sarney (PMDB) e ainda passa toda esta dificuldade com o esse pires vazio na mão, imagina os de oposição.

O prefeito reclama de pobreza, mas como uma cidade sai do atraso sem educação? O índice de analfabetismo no município é considerado alto pelo IBGE.

O titular do blog consultou as transferências federais repassadas ao município e percebemos que o “pires” do prefeito Miguel Fernandes não está tão vazio assim para Vargem Grande ter tanta desigualdade social. Até agora, o governo federal já repassou R$ 35.393.121,57, dinheiro que dava para realizar muita coisa em prol do sofrido povo da cidade. E a pergunta que não quer calar: este dinheiro foi usado pra quê?

Só de Fundeb (verba exclusiva para educação), foram repassados R$ 15.956.807,11 em 2011. E as escolas mostradas na reportagem do JN são uma verdadeira ofensa à palavra “escola”.

O governo estadual, que também tem sua parcela de culpa neste cartório, enviou nota explicando o porquê de o Maranhão ter a menor renda média familiar, segundo os dados do IBGE. 

Uma das explicações seria o fato de que, no estado, as famílias têm muitas crianças e adolescentes, o que significa menos gente trabalhando, por isso um salário menor e renda mais baixa.

A outra explicação seria a grande concentração da população na zona rural, onde os salários são mais baixos e as rendas também.

Parece que o governo quer que a capital, São Luís, fique ainda mais inflada, afirmando ser “problema” que a maioria dos maranhenses vivam no interior. Também é problema termos muitas crianças e adolescentes. Mas se a educação e a informação chega ao interior, deixaremos de ter uma taxa de natalidade tão alta e tão precoce. Com informação, adolescentes não tem filhos tão prematuramente. A explicação do governo é baseada em problemas que ele próprio cria. Portanto, ele é o responsável pela solução.

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