Guilherme Boulos: “Não tem saída pra vencer este projeto de retrocesso se não for com muita unidade”

Guilherme Boulos conversou com Flávio Dino no Palácio dos Leões

O ex-candidato a presidência da República, Guilherme Boulos, está em São Luís e participou na Universidade Federal do Maranhão de evento contra os cortes no orçamento de universidades públicas. Ele também teve um encontro com o governador Flávio Dino e falou em entrevista ao programa Ponto Continuando, da Mais FM, sobre a conversa com Flávio e a importância da unidade da esquerda brasileira.

Para Boulos, a esquerda deve se unir, mas para enfrentar o que chamou de retrocessos do atual governo. A eleição de 2022 não deve ser discutida agora.

“Não tem saída pra vencer este projeto de retrocesso se não for com muita unidade. Nós discutimos a importância da oposição estar junta neste momento por democracia, direitos sociais, soberania. Uma esquerda que esteja com a cabeça em 2022 agora está deslocada no tempo. Temos que ganhar 2019. Temos que derrotar o projeto de reforma da previdência, o desmonte da educação pública. Espero que todos estejam voltados para este momento e 2022 a gente discute mais na frente”.

Guilherme Boulos falou de sua agenda no estado como parte da mobilização nacional. Ele está percorrendo alguns Estados do Nordeste. “Vim como parte desta mobilização em defesa da educação pública e da previdência social. Estive em uma atividade com mais de 2 mil estudantes da UFMA que participaram da palestra e estavam se preparando para a atividade de amanhã, que vai ser um dia de lutas no país todo. Não adianta chamar de contingenciamento. É corte. O estudante que perdeu bolsa de estudos, ou o pós-graduando que perdeu a bolsa da Capes, perdeu. Mexer com uma questão tão fundamental como a edução, que é chave para as próximas gerações. mostra o caráter desse governo”.

Previdência

Boulos também criticou a proposta de reforma da previdência e disse que existem outras saídas para o déficit, que não penalizem os mais pobres. “Uma reforma como essa não é necessário para o Brasil. O que era importante para o Brasil era enfrentar privilégios, coisa que a reforma do Bolsonaro não faz. Enfrentar privilégios da cúpula dos poderes, inclusive dos militares, que estão mantendo todas as suas benecesses. Temos que cobrar dívidas das grandes empresas que são devedores da previdência e recebem é Refis como prêmio e financiam o calote por mais 10 anos. Grandes bancos, grandes empresas estão muito bem. Poderia acabar com a farra das desonerações fiscais, que tiram R$ 57 bilhões todos os anos da previdência”.

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) elencou problemas da reforma que vão trazer prejuízo a quem mais precisa da previdência social. “Cortar benefício de prestação continuada, 5 milhões de idosos pobres que recebem esse salário mínimo e faz toda diferença entre comer e não comer. Colocar isso para R$ 400. Isso é uma covardia. Estabelecer 20 anos de tempo de contribuição mínima para ter 60% do salário. O que está se propondo é um ataque covarde ao direito dos mais pobres, sem combater privilégio”.

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