Sarney sairá candidato para ajudar Temer?

A transferência de título de José Sarney para o Maranhão pegou a todos de surpresa. Até o neto de Sarney, deputado Adriano, disse ao editor deste blog que foi surpreendido com a decisão do avô e ainda não sabia as razões. Muito ainda se debate nos bastidores da política qual sua real motivação.

Que ele quer ficar próximo da campanha da filha, que deve coordenar pessoalmente, é indiscutível.

Mas outra possibilidade aparece no horizonte. Com o filho encaminhado para o Senado, Sarney pode vir a disputar uma eleição para a Câmara, com as bases do filho.
De Brasília, com mandato, poderia ajudar com mais facilidade o presidente Temer, de quem já é o principal conselheiro. Mesmo que Temer não esteja mais sentado na cadeira de presidente.

Mas Elsinho Mouco (o marqueteiro de Edinho Lobão que agora assessora Temer) aposta na reeleição de Temer. Com um mandato na Câmara, Sarney poderia almejar cargos de direção na CCJ e na própria Mesa Diretora da casa para ajudar na aprovação da Reforma da Previdência e outros bandeiras de Temer, estando ele reeleito ou não.

Governo Temer: onde Sarney mexe causa problema

Existe um dito popular de que têm pessoas que onde tocam vira ouro. Mas no caso do ex-presidente José Sarney parece que o onde toca vira problema institucional.

Desde 2017 a República Federativa do Brasil não tem ministro do Brasil. No finalzinho do ano passado, Ronaldo Nogueira pediu demissão do Ministério e o PTB indicou o nome de Pedro Fernandes para a pasta. Mas o ex-senador José Sarney vetou o conterrâneo e o PTB indicou a deputada Cristiane Brasil. Iniciou aí um problema que gera crise entre Executivo e Judiciário.

A Justiça impediu na primeira e segunda instâncias a posse de Brasil por desrespeito à moralidade administrativa, pois ela já havia sido condenada pela Justiça trabalhista. Nesta quarta-feira (14), a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmem Lúcia, manteve a suspensão da posse.

Já na direção da Polícia Federal, a indicação foi direta de José Sarney, apesar do diretor da PF, Fernando Segovia, insistir que não teve influência do oligarca. O indicado de Sarney sofre contestação desde que assumiu.

Mas a crise com Segovia se agravou depois que ele declarou que as investigações contra o presidente Michel Temer deveriam ser arquivadas. Delegados responsáveis por inquéritos da Polícia Federal junto ao STF enviaram ofício citando possíveis ‘medidas cautelares’ para proteger investigações.

O senador Randolfe Rodrigues entrou com uma ação na Justiça na qual pede a saída de Fernando Segovia do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

Onde Sarney mexeu em peças do governo Michel Temer, só gerou problemas institucionais e de moralidade.

Com Temer no colo, Sarney quer jogar crise nacional para Dino

A menos de dez meses das eleições, o oligarca José Sarney tenta a todo custo depreciar a imagem do governador Flávio Dino (PCdoB). Em artigo publicado no jornal da sua família, Sarney tenta jogar para Dino a queda no PIB e o crescimento da pobreza, frutos da crise nacional de Michel Temer (PMDB).

Apontado como um dos principais influenciadores de Temer, Sarney faz vista grossa à estagnação econômica que o país vivencia desde que o peemedebista assumiu a Presidência, e de quebra tenta creditar ao comunista os números da pobreza no Maranhão.

O mais estranho é que apesar de seu grupo político ter governado o estado por quase 50 anos, só agora Sarney descobriu que há pobreza no Maranhão, como o próprio Flávio Dino ironizou recentemente em declaração nas redes sociais.

Para “O Globo”, Sarney é a influência mais forte do Governo Temer e tem poder para nomear titulares de ministérios, estatais, agências…

O Globo com edição – matéria de 07/01/2018

BRASIL – BRASÍLIA -BSB – 25/07/2017 – O Presidente Michel Temer ao lado do ex presidente José Sarney, participa de Cerimônia de Posse do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão no Palácio do Planalto. FOTO ANDRE COELHO / Agencia O Globo – André Coelho / Agência O Globo

BRASÍLIA – No dia 17 de maio, quando a República balançou com a divulgação de gravações do empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer quase caiu, um endereço de Brasília disputou com o Palácio do Jaburu a romaria de autoridades, ministros e políticos candidatos a um eventual mandato-tampão. Eles buscavam conselhos e apoio para o day after na mansão do ex-presidente e ex-senador José Sarney, estrategicamente localizada na península dos ministros, ao lado das residências oficiais da Câmara e do Senado.

Pai do ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney, com 56 anos de vida pública encerrados em 2015, o político maranhense transitou pelo regime militar e por todos os governos como uma espécie de oráculo. Hoje, mesmo sem mandato, mantém, aos 87 anos, força comparável a quando era o todo-poderoso do Senado: dá pitaco nas grandes questões nacionais e veta ou apoia indicação de ministros ou ocupantes de outros cargos estratégicos, como ministros de tribunais superiores e até o comando da Polícia Federal.

Para boa parte dos cotados a cargos em ministérios, diretorias de agências reguladoras, tribunais superiores, de contas, um dos primeiros caminhos é bater à porta de Sarney.

O caso recente e rumoroso foi o veto à indicação do deputado maranhense Pedro Fernandes (PTB) para o Ministério do Trabalho, por ele ser ligado ao grupo do governador Flávio Dino (PCdoB), maior adversário do clã Sarney hoje. Outra demonstração de poder foi o apoio à nomeação do atual diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. Segundo aliados, o ex-presidente não entra em questões que considera irrelevantes.

Como aposentado, Sarney tem três prioridades em sua agenda nada tranquila: a política, a literatura e os cuidados com a saúde da mulher, dona Marli. Pela manhã ou à noite, na mansão, Sarney recebe autoridades, como os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), ministros do governo e chefes de outros poderes. À tarde, no escritório de quatro salas num shopping no centro de Brasília, que chama de instituto, a romaria é de prefeitos, deputados e candidatos a qualquer cargo que fazem fila para buscar conselhos e apoio de Sarney em pendências na Esplanada.

– Tenho rotina de aposentado: hidroginástica e caminhada em dias alternados pela manhã. À tarde, das 15h às 19h, no instituto, recebo não autoridades, mas amigos, pois, na vida inteira, nunca gostei de fazer inimigos. Por isso, capim não cresceu em minha porta. Tenho, como o melhor coisa da vida, o gosto da convivência – explica Sarney.

No dia da quase queda de Temer, foram a Sarney, por exemplo, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), naquele momento um dos nomes cotados para uma eleição indireta pelo Congresso para um mandato-tampão no Planalto. Também foi se aconselhar sobre o que fazer e que regras adotar, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, então responsável pelos caminhos a seguir em caso de renúncia de Temer.

– Eu seria o responsável pela sucessão se Temer renunciasse e teria que definir as regras. Fui lá e disse: queria ouvir do senhor o que acha. Se você tem uma angústia, naturalmente procura alguém mais experiente, vai lá, bota para fora, ele ouve, pondera e faz uma análise do que você colocou sem trazer seus sentimentos pessoais – diz Eunício, que, uma vez por semana, também recebe o político maranhense na residência oficial para uma taça de vinho e conversas sobre a conjuntura.

– Tasso e Eunício são meus velhos amigos. Não foram à minha casa pedir aconselhamento. A pauta de nossas conversas é a que nos dá os jornais diariamente. Sobre atualidades e notícias – conta Sarney.

Já Rodrigo Maia foi levado pela primeira vez à casa de Sarney pelo deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), que estreitou os laços com o ex-presidente no Senado. Heráclito foi solidário com Sarney no escândalo dos chamados atos secretos que encobriram contratações irregulares de parentes e concessão de benefícios indevidos para senadores e dirigentes do Senado.

Sarney gosta de parecer poderoso. No caso da indicação de Segóvia, por exemplo, toda a mídia destacou seu apoio ao novo chefe da PF. Como no caso do veto ao deputado Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho, ele sempre nega, mas, para os próximos, admite que gosta. No dia seguinte à indicação de Segovia, numa conversa com um dos amigos que o visitaram no instituto, Sarney disse:

– Segovia tocou o processo contra Roseana e não fez nada indevido. Não fui eu que indiquei, mas se me perguntarem se eu gostei… Gostei.

O vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, lamenta que a eventual interferência de Sarney tenha tirado do estado a possibilidade de ter um ministro. Ele acusa Sarney e seu grupo de ter um único objetivo: não deixar o governo de Flávio Dino dar certo e colocar a filha, Roseana, de volta ao Palácio dos Leões. Além de Roseana governadora, o projeto é reeleger os senadores João Alberto (PMDB-MA) e Edison Lobão (PMDB-MA).

Além de indicar e vetar nomeação de autoridades, Sarney e seu grupo são acusados de boicotar o projeto de privatização da Eletrobras, feudo de senadores do Norte, como o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) e o senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Esse grupo controla as distribuidoras da Eletronorte no Norte e Nordeste e agora Sarney e Lobão articulam a indicação de André Pepitone para a Aneel.

– Não sou contra a privatização do setor elétrico. Acho que não pode ser feita atingindo empresas que fazem parte da soberania e interesse nacionais. Mas, em geral, o estado é um péssimo administrador – defende-se Sarney.

Vingança de Sarney faz com que filha de Roberto Jeferson vire ministra do Trabalho e condenado por exploração sexual vire deputado federal

Com informações do G1

 

O veto do ex-presidente José Sarney ao nome do deputado federal Pedro Fernandes ao Ministério do Trabalho ganha desdobramentos terríveis.

Como Pedro Fernandes não aceitou ceder as pressões para apoiar a candidatura de Roseana Sarney e abandonar a aliança com o governador Flávio Dino, o parlamentar acabou tendo seu nome vetado a pedido de José Sarney.

A nova ministra do Trabalho, nomeada por Michel Temer, Cristiane Brasil (PTB), foi condenada em 2016 a pagar uma dívida trabalhista de R$ 60,4 mil a um motorista que prestava serviços para ela e para sua família, conforme decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1) confirmada em segunda instância.

Segundo informações do TRT, o mérito do caso já foi julgado e a parlamentar só pode recorrer ao TST sobre o valor da indenização. O valor, portanto, ainda pode ser alterado.

De acordo com sentença de julho de 2017, a dívida de R$ 60 mil foi abatida com penhoras e era, àquela época, de R$ 52 mil. Até outubro do ano passado, Cristiane não havia comprovado o pagamento integral, conforme consta no processo.

Vale lembrar que Cristiane Brasil é filha de Roberto Jefferson, personagem símbolo do mensalão, e também é citada na delação da Odebrecht.

Para piorar a situação, com a saída da nova Ministra da Câmara Federal, quem assume é Nelson Nahin (PSD-RJ), condenado à prisão por exploração sexual de menores de idade e irmão do ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ).

Como deu para entender, essa nova “malvadeza” vingativa do oligarca de Curupu provocou mais um estrago no plano nacional e aumentou o desgaste, do golpista Michel Temer.

De acordo com a Folha de São Paulo, Temer ouve Sarney e desiste de nomear Pedro Fernandes para o Trabalho

Da Folha de São Paulo

O deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA), que havia sido escolhido para comandar o Ministério do Trabalho, não será mais empossado nesta quinta-feira (4).

Segundo a Folha apurou, o ex-presidente José Sarney (MDB) não referendou o nome do parlamentar, que é alinhado ao governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB.

Sem o aval de Sarney, o presidente Michel Temer pediu ao PTB que indicasse outro nome. Fernandes recebeu a notícia na manhã desta terça-feira (2) do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

A decisão do presidente causou desconforto na bancada do PTB na Câmara dos Deputados. “Não aceitamos outra indicação. A indicação do Pedro Fernandes é a do partido”, disse o líder Jovair Arantes (PTB-GO).

O nome de Fernandes estava desde a semana passada sob avaliação do setor de inteligência do Palácio do Planalto, que costuma realizar levantamento sobre os antecedentes dos ministros para efetivar a nomeação.

O PTB ainda não tem um novo nome para indicar para o lugar de Fernandes, que esperava assumir a pasta ainda nesta semana.

O Ministério do Trabalho está sem titular desde que o também deputado federal pelo PTB Ronaldo Nogueira pediu demissão, no último dia 27. Ele se desligou com o argumento de que quer se dedicar à sua campanha pela reeleição.

No mesmo dia em que saiu da pasta, ele publicou nova portaria sobre a definição de trabalho escravo, que deixa mais rígidas as definições do que leva à punição do empregador.

Na data, Fernandes disse que havia sido convidado por Jovair Arantes e que não disputaria um novo mandato neste ano. “Foi um susto, mas estou topando. Já me refiz do susto e vamos lá”, afirmou.

Ainda segundo Fernandes, Jovair estava acompanhado de Nogueira no momento do convite, feito por telefone.

 

Estadão compara: “Temer quer reviver Sarney”

A coluna do jornalista José Roberto de Toledo desta quinta-feira (1º), no site do jornal O Estado de São Paulo, fez uma apropriada comparação entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o oligarca José Sarney.

Apesar da impopularidade atingida à custa de uma hiperinflação que marcou o fim da década de 1980 no Brasil, Sarney conseguiu se manter na Presidência  até o final do seu mandato. Temer tenta repetir os passos de Sarney, e, apesar da crise, dos escândalos judiciais e dos mais de 60% de rejeição, o presidente diz que não renunciará ao cargo.

Para o colunista, Temer copia o mesmo argumento de Sarney: custo da saída é maior que o da permanência.

Outro ponto bem lembrado pela publicação é que tanto Temer quanto Sarney são “ex-vices”. Sarney não tinha vice quando deixou o governo como um presidente impopular. Temer também não tem vice.

“Como Temer, [Sarney] era um ex-vice. Sangrou meses, mas segurou-se até o fim, à custa de uma hiperinflação. Coincidência? Provavelmente não. O vice lubrifica a queda. Sem vice, todos sonham em vestir a faixa e sentar na cadeira. Basta ver o que está acontecendo em Brasília nesses dias”, frisou o colunista.

Certo é que Sarney é apontado como principal conselheiro de Temer nesse momento de profunda crise. O oligarca tem reforçado ao presidente que ele deve se manter a todo custo no cargo.

Sarney atua para que Temer permaneça presidente e possa garantir apoio da máquina federal à campanha da sua filha Roseana nas eleições estaduais de 2018.

Pânico para Sarney: PF faz operação contra propinas da ferrovia Norte-Sul

O ex-presidente José Sarney não acordou bem nesta quinta-feira (25). A Polícia Federal e o Ministério Público realizam a Operação De Volta aos Trilhos, que investiga crimes de lavagem de dinheiro decorrente do recebimento de propina nas obras da ferrovia Norte-Sul. Segundo as corporações, a ação cumpre 2 mandados de prisão preventiva, sendo um contra Jader Ferreira das Neves, filho do ex-presidente da Valec Juquinha das Neves, e outro contra o advogado Leandro de Melo Ribeiro.

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Os bilhões que envolvem a Ferrovia Norte-Sul e as propinas do Clã Sarney

Em delações da Odebrecht, excecutivos citam que o grupo político do ex-presidente José Sarney recebeu entre 2008 e 2009 cerca de 1% sobre o contrato da obra, representado por Ulisses Assada, diretor de engenharia da Valec. Outros 3% seriam destinados ao grupo político do ex-deputado Valdemar da Costa Neto (PR), liderado por José Francisco das Neves, o ‘Juquinha’.

Os depoimentos que envolvem Sarney serão enviados à Justiça Federal de Goiás, onde já há apuração sobre a Valec, justamente onde ocorre a operação.

Conforme os procuradores, a ação baseia-se em acordos de colaboração premiada assinados com o MPF-GO pelos executivos das construtoras Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez, que confessaram o pagamento de propina a Juquinha das Neves. Além disso, a operação é embasada em investigações da Polícia Federal que levaram à identificação e à localização de parte do patrimônio ilícito mantido oculto em nome de terceiros (laranjas).

Os bilhões que envolvem a Ferrovia Norte-Sul e as propinas do Clã Sarney

O mapa acima mostra a grandeza da obra da ferrovia Norte-Sul e consequentemente o gigantesco desvio de dinheiro público com esta obra envolvendo a engenharia Valec, grupo político de Valdemar da Costa Neto e o grupo político de José Sarney.

Estima-se que foi gasto cerca de R$ 8 bilhões com a obra que está prestes a completar 30 anos e nunca transportou uma carga sequer. Ex-executivos da Odebrecht afirmaram que o grupo político do ex-presidente José Sarney recebeu 1% de propina nos contratos da obra entre 2008 e 2009.

Os valores de Sarney somam quase R$ 800 mil, no que foi identificado até o momento na ‘Planilha da Propina’ da empreiteira. De acordo com o ex-executivo Pedro Carneiro Leão Neto, os pagamentos eram feitos a Ulisses Assad, então diretor da Valec, que se referia ao político do Maranhão como ‘o Grande Chefe’ e ‘Bigode’ para solicitar a propina na obra.

Trem na Norte-Sul só parado com Sarney em cima. Mas bilhões foram despejados na obra.

Mas pela enorme obra e os valores envolvidos, a quantia de propina pode ser muito maior. A obra que já consumiu milhões, teve um trecho inaugurado em 2014 e ainda assim nunca funcionou é uma das maiores vergonhas nacionais com tanto dinheiro público escorrido pelo ralo.

As delações sobre Sarney e Costa Neto foram enviadas para a Justiça Federal de Goiás, onde já existe processo sobre o caso. Por lá, a Valec já teve bloqueado mais de R$ 7 milhões por conta dos desvios da obra. Conforme o inquérito conduzido pela Polícia Federal em Goiás, foi constatado que o consórcio integrado pelas empresas Construtoras Aterpa S.A e Ebate Construtora Ltda superfaturaram os serviços no contrato de R$ 31,2 milhões, recebendo por serviços não executados.

Sérgio Moro tenta intimar Sarney há quase dois meses sem sucesso

O Globo – O juiz Sérgio Moro tenta intimar há quase dois meses, sem sucesso, o ex-senador José Sarney para depor como testemunha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em processo da operação Lava-Jato. A tentativa de comunicar Sarney se transformou numa espécie de saga para funcionários do judiciário maranhense. Um deles teve de usar uma lancha para chegar a uma ilha, um dos endereços de Sarney naquele estado. A videoconferência está marcada para o dia 14 de fevereiro, quando ele falará com Moro.

A ordem para a intimação do ex-senador foi expedida por Moro no dia 6 de dezembro. A primeira visita feita pelo oficial de Justiça ao endereço de Sarney ocorreu em 19 de dezembro, na Rua Alpercatas, no bairro do Calhau, em São Luís. Na residência de Sarney, na capital maranhense, o oficial foi recebido pelo PM que faz a segurança do local. Foi informado que Sarney estava em Brasília e que dificilmente se encontra no local.

A segunda tentativa ocorreu na última segunda-feira. Oficiais de Justiça navegaram até a Ilha Curupu, na Baía de São Marcos, no município de Raposa, próximo a São Luís, onde ficam as mansões de veraneio da família Sarney. A casa mais antiga é a do ex-senador e a outra, mais nova, de sua filha, a ex-governadora Roseana Sarney. A ilha é particular, mas algumas famílias de pescadores receberam autorização para continuar a morar ali, em casas de madeira.

Foram os pescadores que receberam o oficial de Justiça, que foi aos dois imóveis. O primeiro, que seria o de Sarney, estava fechado. No segundo, o funcionário foi recebido por um vigia que se identificou apenas como Índio e disse que raramente Sarney aparece por lá, porque a família só usa a ilha no verão.

Na última quinta-feira, Sarney esteve no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde visitou Lula e a ex-primeira dama Marisa Letícia, morta no dia seguinte. O ex-senador estava acompanhado do presidente Michel Temer e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, entre outros peemedebistas.

Neste processo em que Sarney foi arrolado como testemunha de defesa, Lula é acusado pela força-tarefa da Lava-Jato por lavagem de R$ 1,3 milhão pagos pela OAS para armazenar o acervo presidencial entre janeiro de 2011 e janeiro de 2016 em depósitos da Granero. Foram 21 pagamentos mensais de R$ 21,5 mil e, segundo os procuradores, a quantia era proveniente de crimes praticados pela empreiteira em licitações da Petrobras.

A defesa do ex-presidente afirma que a armazenagem do acervo presidencial foi negociada com o Instituto Lula como contribuição privada, depois que ele deixou o governo.

Sarney foi convocado para depor para que explique à Justiça como fez para armazenar o acervo de seu governo (1985-1990).

O GLOBO procurou tentou contato com o ex-senador. No entanto, a assessoria de Sarney ainda não retornou as ligações até o início da noite desta quarta-feira.