Reforma da previdência: Como vota a bancada maranhense

Votos dos maranhenses na Reforma. Clique para ampliar

O Estadão fez um levantamento sobre como pretendem votar os deputados federais na reforma da previdência. No placar geral, são 98 a favor, 260 contra e 155 entre indecisos, não quiseram responde,r não foram encontrados ou se abstém.

Da bancada maranhense, oito votam a favor, sete contra e três não responderam ao Estadão.

Dos que votam a favor, Alberto Filho (PMDB) e Cléber Verde (PRB) votam integralmente. José Reinaldo (PSB), Júnior Marreca (PEN), e Waldir Maranhão condicionam o voto à redução da idade para mulher, mudança na idade mínima para homens, criação de regra de transição para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 anos e sem a exigência de 49 anos de contribuição para aposentadoria integral.

Hildo Rocha (PMDB) e João Marcelo só defendem as alterações das idades mínimas para homens, regra de transição para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 anos e sem a exigência de 49 anos de contribuição para aposentadoria integral.

 Pedro Fernandes (PTB) vota a favor com a alteração da idade mínima para mulheres e a regra de transição.

André Fufuca (PP), Juscelino Filho (DEM) e Luana Costa (PSB) não quiseram responder.

Os demais votam contra a proposta na íntegra.

Weverton diz que Temer tenta barrar assinaturas de apoio às emendas da Reforma da Previdência

Em entrevista ao programa Palavra Aberta, da TV Câmara, o deputado federal Weverton Rocha (PDT) falou sobre o posicionamento contrário à Reforma da Previdência nos moldes como apresentado pelo governo Michel Temer. Para Rocha, o governo de Temer não tem legitimidade para tocar a reforma da previdência.

O deputado falou das emendas que apresentou ao projeto e do monitoramento do governo Michel Temer. O deputado maranhense disse que o governo não quer deixar os deputados de sua base sequer assinar o apoio às emendas para que entrem em discussão. Para que a emenda entre em discussão, precisa de apoio de 171 deputados e a oposição tem cerca de 100 deputados. “Por isso estamos ‘chalerando’, com jeito, pedindo, para que deem o direito de pelo menos discutir estas emendas em plenário e dentro da comissão”, afirmou Weverton.

O líder da bancada do PDT disse que se acontecer o absurdo de passar esta reforma, pelo menos os policiais, professores e trabalhadores rurais devem ser preservados.

 

Maioria da comissão quer mudar pontos-chave da Reforma da Previdência

Folha – Metade dos integrantes da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma da Previdência se opõe à exigência de idade mínima de 65 anos para aposentadoria, e a maioria discorda de outros pontos cruciais da proposta apresentada pelo presidente Michel Temer.

A idade mínima é um dos eixos do projeto, porque valeria para todos os trabalhadores e acabaria com o sistema que hoje permite aos que se aposentam por tempo de contribuição obter o benefício precocemente, em média aos 54 anos, idade muito mais baixa do que em outros países.

Levantamento feito pela Folha revela que 18 dos 36 integrantes da comissão especial são contra a idade mínima proposta por Temer. Sete entre eles defendem a fixação de idades inferiores a 65 anos.

A enquete mostra também que a maioria quer modificar pelo menos outros quatro pontos importantes do projeto do governo, prioridade legislativa de Temer neste ano. Entre os que defendem mudanças estão integrantes da base governista, inclusive do PMDB, partido do presidente.

“Não somos obrigados a fazer nada empurrado pelo governo goela abaixo”, diz o peemedebista Mauro Pereira (RS), que defende idade mínima menor do que 65 anos. “Não se discute que a reforma é necessária, mas acho que alguns pontos [da proposta do governo] foram exagerados”, diz o deputado Reinhold Stephanes (PSD-PR), ex-ministro da Previdência.

Apenas um integrante da comissão, Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo na Câmara, diz apoiar as mudanças propostas para o BPC (Benefício de Prestação Continuada), benefício assistencial pago a idosos e pessoas com deficiência pobres.

O governo quer desvincular o benefício do salário mínimo, o que abriria caminho para reduzir seu valor, e aumentar a idade mínima para alcançá-lo, de 65 para 70 anos. “Se tem uma coisa cruel e sem escrúpulo, é essa desvinculação”, disse o deputado Heitor Schuch (PSB-RS), cujo partido é da base de Temer.

A regra de transição proposta para quem está mais perto da aposentadoria, que beneficiaria mulheres com 45 anos ou mais e homens a partir dos 50, também desagrada à comissão. Só sete integrantes declararam apoio ao texto original, enquanto 26 disseram ser contrários a ele.

O relator do projeto, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), já declarou que pretende alterar esse ponto. Ele quer uma regra mais proporcional, que leve em conta o tempo que falta para cada pessoa se aposentar.

MUDANÇAS

O PSDB, principal aliado do governo, também prepara mudanças. “A sensação, ao conversar com os colegas, é que muitos pontos têm que ser aprimorados ou revistos”, diz Eduardo Barbosa (PSDB-MG).

Só nove deputados dizem apoiar a unificação de regras para homens e mulheres, como prevê o projeto de Temer. Outros 22 disseram ser contra a ideia, devido às diferenças que separam homens e mulheres no mercado de trabalho. “É um erro absurdo colocar as mesmas regras”, afirmou Assis Carvalho (PT-PI).

O governo reconhece que muitas diferenças persistem, mas argumenta que elas têm diminuído e que problemas do mercado de trabalho não deveriam ser resolvidos pela Previdência. A comissão que votará o parecer do relator Arhur Maia tem só uma mulher como titular. Os outros 35 integrantes são homens.

Outro ponto criticado pela maioria é a nova fórmula de cálculo das aposentadorias, que obrigaria os trabalhadores a somar 49 anos de contribuição para ter direito ao benefício integral. Declaram-se contrários 25 deputados.

Principal voz do governo na comissão e único dos 35 entrevistados a declarar que a proposta não precisa de mudanças, Darcísio Perondi admite que há espaço para conversar. “Por enquanto, não tem o que mudar, mas o governo está aberto”, afirmou.

A comissão especial é onde ocorre a primeira etapa da discussão da reforma. O relator Arthur Maia promete apresentar na última semana de março seu parecer, que será votado pelo colegiado e depois encaminhado para o plenário, onde a reforma precisa do apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados federais.