Comissão Nacional da Verdade estará no Maranhão neste final de semana

comissaoverdadeNeste sábado, 30 de agosto, a Comissão Nacional da Verdade vai ao Maranhão apresentar, em Porto Franco, no dia 31 (domingo), a partir das 14h, na Loja Maçônica Tiradentes 18 (rua Teixeira de Freitas, 118, Centro, Porto Franco-MA), o resultado da análise pericial de restos mortais sepultados no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, em 21 de agosto de 1971, que podem ser do sapateiro e líder comunista maranhense Epaminondas Gomes de Oliveira, nascido em Pastos Bons, em 1902.

Epaminondas foi preso em um garimpo paraense, em 7 de agosto de 1971, durante a Operação Mesopotâmia, realizada para prender lideranças políticas da oposição na região do Bico do Papagaio (divisa tríplice entre Pará, Tocantins, então Goiás, e o Maranhão), com o objetivo de tentar detectar focos guerrilheiros na região.

Segundo depoimentos colhidos pela CNV, após ter sido torturado numa área do DNER localizada na estrada entre Porto Franco, onde vivia, e Imperatriz, ambas no MA, Epaminondas foi levado a Brasília, onde permaneceu preso, foi novamente torturado, e morreu, no dia 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, sob a custódia do Exército, no antigo Hospital de Guarnição de Brasília, atual Hospital Militar de Área de Brasília. Ao todo, a CNV colheu 41 depoimentos sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia em Brasília, no Maranhão e em Tocantins.

Ao todo, a CNV colheu 41 depoimentos, 27 deles no Maranhão, sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia. Também foram colhidos testemunhos em Brasília e em Tocantins.

Não há informações que comprovem a participação de Epaminondas e de outros militantes comunistas de Porto Franco (MA) e da vizinha Tocantinópolis (TO) com a guerrilha. O único elo de ligação é que, em virtude de sua militância, Epaminondas e seu grupo teriam intermediado com o Partido Comunista a instalação em Porto Franco do médico João Carlos Haas Sobrinho, desaparecido na Guerrilha do Araguaia, que antes de engajar-se na luta armada viveu 20 meses na cidade, onde atuou como cirurgião.

A audiência de Porto Franco, Maranhão, será precedida por uma audiência em Brasília, na tarde desta sexta-feira (29 de agosto). O evento será transmitido ao vivo pela internet, no site da CNV: www.cnv.gov.br/aovivo

EXUMAÇÃO EM 2013 – Os restos mortais que podem ser de Epaminondas Gomes de Oliveira foram exumados, a pedido da CNV, em 24 de setembro de 2013, por equipe da Seção de Antropologia do Instituto Médico Legal de Brasília, que possui convênio com a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).

A CNV decidiu pedir a exumação após ter tido acesso a uma carta enviada pelo Exército em 1971 à família, indicando que Epaminondas havia morrido em Brasília, mas que seu corpo só poderia ser exumado depois de cinco anos. O documento informava, inclusive, o local de sepultamento e as coordenadas no cemitério Campo da Esperança.

Em diligência realizada no cemitério, consultando os arquivos, a CNV constatou que Epaminondas não teria sido enterrado no lote informado na carta enviada à família. Não se sabe se houve um equívoco ou a intenção de ocultar a informação dos familiares que, temerosos, decidiram não tentar a exumação antes, mas apoiaram desde o início a investigação da CNV, fornecendo fotos do sapateiro e outros dados importantes para os exames que foram realizados posteriormente.

Além do resultado pericial, a CNV apresentará relatório preliminar de pesquisa sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia.

A apresentação dos resultados do trabalho será conduzida pelo pesquisador da CNV, Daniel Lerner, responsável pelo tema. Também estará presente o médico legista Aluísio Trindade Filho, um dos responsáveis pela perícia. Filhos, netos e demais familiares de Epaminondas estarão presentes.

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