Setembro começará com pouca perspectiva nas redes de educação estadual e municipal

Pandemia parou educação na rede pública e aumentou a desigualdade com a rede privada. Redes do Maranhão e São Luís sofrem com ano praticamente perdido.

A imprensa nacional destacou neste final de semana o grande problema que a pandemia causou ao setor educacional e o fosso de desigualdade ainda maior entre o ensino público e privado. Em São Luís, por exemplo, temos uma das piores situações do país, onde não existe nenhum tipo de atividade remota para 85 mil alunos da rede municipal. Desde março os alunos não estão tendo acesso a absolutamente nada.

Em todo o Brasil, Salvador foi a única capital que teve aulas por videoconferência para alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Outras, tiveram aulas disponibilizadas em aplicativos e pelo Youtube. Mas em São Luís, o ensino fundamental na rede pública está praticamente com o ano letivo perdido.

Em julho, o secretário de educação do município, Moacir Feitosa, disse que em setembro as aulas presenciais deveriam voltar com protocolo sanitário. Setembro inicia amanhã e sequer um protocolo próprio da rede municipal foi disponibilizado.

Associa-se a este caos a má vontade do Sindicato dos professores de São Luís que não quer o retorno das aulas e não oferece uma outra alternativa de ensino à distância, pedindo a “morte” do ano letivo de 2020 e o reinício somente em janeiro de 2021.

Estado

Na rede estadual, pelo menos existe ainda uma boa vontade. As aulas remotas ainda foram disponibilização das aulas no Youtube e na TV Assembleia e foi estabelecido já um protocolo para retorno presencial. Mas demorou um pouco para que a Seduc organizar aula remota de verdade, ao vivo, com a possibilidade dos alunos interagirem e tirarem dúvidas. A secretaria adquiriu chips para que os alunos do terceiro ano possam ter acesso à internet e assistirem as aulas, já agora a praticamente quatro meses do Enem.

Houve uma grande insistência pelo retorno das aulas presenciais e um choque grande com a comunidade escolar – pais e alunos – que não desejavam o retorno. Enquanto essa discussão se estendia, os alunos da rede privada seguiram de forma intensa com aulas remotas. Agora, enquanto os alunos da rede privada já voltaram com as aulas presenciais, os da rede pública seguem em discussão.

A Seduc está realizando a segunda consulta aos pais e será encerrada amanhã (1º). A questão é que se os pais novamente disserem “não” para o retorno às aulas, o impasse peramenece e existe pouca perspectiva para a educação pública em meio à pandemia sem poder concorrer com a forte estrutura da rede privada.

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