Como em todas as últimas eleições, disputa será polarizada dentro do campo lulista no Maranhão

Por mais que a articulação política do Palácio dos Leões tente forçar através de “análises”, estímulo à candidatura de Lahesio Bonfim e pesquisas fraudulentas não se sustenta a tese de que a eleição para governador do Maranhão será disputada no segundo turno entre um candidato do campo lulista e outro representante do bolsonarismo.

A história prova que desde a ascenção do lulismo, quando o ex-presidente foi eleito a primeira vez, a eleição no Maranhão sempre foi polarizada no mesmo campo, uma vez que o ex-presidente e seus candidatos a presidente sempre tiveram votaçõeres muito expressivas no estado. Nem em 2018, no ápice do bolsonarismo em todo o país, um candidato bolsonarista chegou a ameaçar ser competitivo no Maranhão.

Vamos aos fatos históricos que derrubam completamente a tese de que um bolsonarista tenha chance de polarizar a disputa.

Em 2006, a eleição do Maranhão foi polarizada entre Roseana Sarney e Jackson Lago. Nesta época, Lula já estava pagando dívida a Sarney e fez a fatídica declaração de apoio a Roseana em Timon. Nacionalmente, a disputa era entre Lula e Gerlado Alckmin. Mesmo no primeiro turno tendo o PSDB na sua coligação, Roseana pedia votos para Lula. O PT estadual (que no primeiro turno estava na coligação de Edison Vidigal) apoiou Jackson no segundo turno a despeito da declaração, Jackson disse que votava em Lula. Roseana e Jackson tiveram juntos 81% dos votos.

Em 2010, a eleição foi polarizada entre Roseana e Flávio Dino. Os dois brigaram muito nas prévias pelo apoio do PT. A executiva estadual aprovou aliança com Dino, mas uma intervenção nacional colocou o partido com Roseana, inclusive indicando o vice Washington Oliveira. Jakcson Lago declarou apoio a José Serra para presidente e acabou em terceiro. Roseana ganhou no primeiro turno por um diferença muito pequena para que a eleição fosse levada para segundo turno. Roseana e Flávio tiveram juntos 89% dos votos.

Em 2014, Flávio Dino e Edison Lobão Filho disputaram a eleição. Novamente o PT ficou na coligação do grupo Sarney e Flávio Dino apoiava declaradamente Dilma Rousseff para presidente mesmo tendo o vice do PSDB, que tinha Aécio Neves como candidato. Flávio venceu a eleição no primeiro turno. Flávio e Edinho juntos tiveram 97% dos votos.

2018 foi o ano do bolsonarismo. Em todo o Brasil o movimento de direita viveu seu ápice e o lulismo o seu pior momento com Lula preso. Mesmo diante deste cenário, o candidato do PT Fernando Haddad venceu no Maranhão e a eleição foi novamente polarizada entre dois candidatos do campo lulista: Roseana e Flávio tiveram juntos 89%. A representante do bolsonarimo Maura Jorge ficou com míseros 7,87%.

Se no ano do ápice do bolsonarismo, um candidato que representava a direita não chegou nem perto de polarizar a disputa, não há como imaginar que agora que o governo Bolsonaro está em baixa e com Lula liderando com folga as pesquisas no Maranhão, um bolsonarista tenha chance de polarizar.

Isto ocorre não só pelo favoritismo de Lula, mas porque a eleição do Maranhão tem uma dinâmica própria, sem verticalismo com a disputa nacional, que mexe muito mais com questões ideológicas. Na disputa local, pesa muito mais a disputa entre grupos estabelecidos diante do cenário local.

Nesta eleição, Carlos Brandão representa o que foi Roseana Sarney e seu grupo nas últimas eleições: a força do Palácio, do poder, da ameaça e da cooptação de lideranças com essa estrutura. Uma candidatura frágil de carisma e discurso, mas muito forte em uso da máquina.

A candidatura de Weverton Rocha se assemelha ao que representou nas últimas duas décadas Jackson Lago e o próprio Flávio Dino: discurso, força de grupo político  resistente e alternância de poder.

É esse será o antagonismo do pleito deste ano. Assim, qualquer “análise” fora desta polarização é jogo de cena para tentar enfraquecer uma candidatura ou desconhecimento da política do Maranhão.

2 pensou em “Como em todas as últimas eleições, disputa será polarizada dentro do campo lulista no Maranhão

  1. Essa análise está completamente equivocada e bem ao gosto do freguês, o maragato.
    Os maranhenses estão aguardando outubro chegar pra darem o troco nesses politiqueiros de plantão.
    Chega de corruptos!!
    Lahésio, neles!!!!!!!!

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