A lição da eleição de Eduardo Braide que o grupo dinista não aprendeu

Eleição de Braide deixou claro o que o eleitor quer: competência e propostas do candidato, não importando sua preferência na eleição nacional.

O período de convenções demonstrou mais o tom que cada candidato ao governo do Maranhão pretende dar na campanha. E evidenciou o erro estratégico do candidato a governador que tenta a reeleição. O foco total em Lula na esperança de que o eleitorado do presidenciável lhe garanta a eleição.

A estratégia de Brandão tem sentido pelo fato dele ser desconhecido e não querer chamar pra si a responsabilidade de debater os problemas do Maranhão. Brandão assumiu o governo em abril e não tem nada de seu próprio governo que possa apresentar. Também não pode tentar levar o debate enaltecendo o governo Flávio Dino primeiro pelo pouco resultado (teria mais que responder por problemas do que falar de avanços) e depois porque os adversários iriam demonstrar que as poucas coisas boas não tiveram participação nenhuma de Brandão, que foi um vice decorativo. E, aliás, uma das principais e únicas ações do governo, o Restante Popular, foi posto em prática pelos secretários que hoje estão no campo do adversário (Neto Evangelista e Marcio Honaiser).

A estratégia de Brandão de apostar tudo em Lula tem todo o sentido por ser a única que parece possível no atual cenário. Mas é extremamente arriscada e demonstrou o quanto é ineficiente na eleição para prefeitura de São Luís.

O partido do então governador Flávio Dino tinha um candidato a prefeito de São Luís com muito mais credenciais que Brandão, o deputado federal Rubens Júnior. E mesmo com Rubens tendo o que mostrar, tendo sido um deputado atuante, jovem, com defesa de boas pautas, a campanha apostou tudo na imagem de que Rubens era o candidato de Lula e Flávio Dino. Resultado: Rubens acabou em quarto lugar.

O eleitor mostrou na eleição de São Luís que mesmo tendo suas preferências com relação à eleição nacional, não queria saber se o candidato era apoiado por Lula, Bolsonaro, Flávio Dino ou Roseana. Queria saber quem ele via como preparado para resolver os problemas do dia a dia. Os dois candidatos que chegaram ao segundo turno da eleição de São Luís eram os menos identificados com ideologia de esquerda ou direita, mas os que o eleitor identificava no candidato a possibilidade de resolver os problemas. Eduardo Braide já vinha desde 2016 estabelecido na cabeça do eleitor como um político preparado e com competência e Duarte Júnior com todo seu mérito de aparto midiático era para o eleitor o cara do Procon que resolvia as coisas. Assim, a gigantesca maioria do eleitorado não quis saber se o candidato era de esquerda ou direita, até porque nenhum dos dois nunca se envolveu diretamente nessa questão.

No segundo turno, deu Braide contra toda a força da máquina estadual. Duarte cresceu com a força da máquina, mas a aparição forte de Flávio Dino na campanha acabou atrapalhando o candidato de crescer espontaneamente. A grande maioria decidiu que não queria um prefeito apoiado ou tutelado por outro político, mas alguém que a população enxergava como capaz de resolver pessoalmente os problemas.

O grupo dinista cai novamente na tentação de apostar todas as fichas no uso de Lula na campanha. De fato agora, tem até menos escolha do que na campanha para prefeitura de São Luís. Mas o aviso de 2020 foi claro. A eleição de Braide mostrou claramente o que o eleitor que não vota por imposição da força da máquina quer do candidato majoritário.

Brandão vai estar no segundo turno. Pela força da máquina pública usada descaradamente ele terá que ter pelo menos 25% dos votos. Mas fica cada vez mais difícil avançar para o eleitor livre apostando única e exclusivamente na ideia de uma eleição casada com Lula.

1 pensou em “A lição da eleição de Eduardo Braide que o grupo dinista não aprendeu

  1. Com todo o respeito, falar que não houve nenhuma evolução durante o Governo Dino ?
    Pelo amor de Deus!
    E os hospitais regionais ?
    E os IEMA e as escolas de tempo integral ?
    E a expansão dos polos UEMA?
    E a expansão do QG corpo de bombeiros?

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