A demonização generalizada da blogosfera por Duarte Jr: injustiça e covardia

Quem generaliza negativamente um grupo humano apenas por sua irritação com uma pequena parte deste grupo além de cometer injustiça, expõe covardia. Quando não  se delimita exatamente quem eu quer criticar e se generaliza é porque o crítico não tem coragem suficiente para referenciar, colocando todos deste grupo humano no mesmo balaio.

Foi o que fez o deputado estadual Duarte Júnior ao recomendar durante palestra organizada pelo Instituto Maranhense de Defesa do Consumidor (IMADEC) que as pessoas não lessem mais blogs, e denunciassem todos em seus computadores já que “blogs publicam aquilo que eles são pagos para publicar”.

Duarte tem plena consciência da injustiça que comete com profissionais de imprensa do Maranhão, porque ele mesmo já teve suas ações divulgadas gratuitamente por este blog e outros mais próximos a mim já que conheço os profissionais e tenho  certeza que nunca receberam um centavo do deputado. Como imagino que são tantos outros com os quais não tenho maior aproximação. O deputado sabe que sempre que procurou a mim e o assunto era de interesse da população, teve amplo espaço sem que nenhum me pagasse nada, embora ele pague perfis fakes de Instagram (e estes não pede para que as pessoas não acessem mais).

Hoje, com as novas tecnologias, a grande maioria dos jornalistas de peso e credibilidade possuem blogs. Claro que existe muitos blogs ruins. Mas assim como nem todo político é ladrão como acena o senso comum, nem todo blog é algo negativo.

História do novo Maranhão passa pelos blogs

A história da virada política do Maranhão na qual Duarte Júnior está inserido hoje passa pela redemocratização do espaço de fala.

O sistema de comunicação do grupo Sarney sempre teve o controle de praticamente toda a mídia tradicional no estado (e os veículos que não eram deles eram financiados e editorializados por eles). Até pelo sistema Mirante surgiram as primeiras páginas pessoais de jornalismo na internet.

Mas o mundo da blogosfera iniciado em meados da primeira década deste século deu a oportunidade dos maranhenses conhecerem informação além da linha editorial do grupo Sarney. Este novo espaço que surgia ali levou o “outro lado” das histórias contadas sempre apenas pela perspectiva do sistema Mirante. O poder passava a ser do leitor para comparar versões e tirar suas conclusões. E permanece assim até hoje.

Ainda pré-candidato antes da primeira eleição, o governador Flávio Dino acreditava muito no poder da comunicação alternativa no seu intento de dar uma virada na política do Maranhão. Lembro-me que quando concedia entrevistas a blogueiros (já que era a única mídia no Maranhão que o ouvia) em um tempo em que ninguém achava que este tipo de veículo teria algum peso, Flávio Dino dizia que era esta nova comunicação que faria a diferença. E, de fato, fez.

Imaginemos na eleição de 2014 quando a campanha de Edinho Lobão colocou um preso para falar que Flávio Dino era chefe de quadrilha. Sem a credibilidade e agilidade da blogosfera para apurar e disseminar a verdade certamente a eleição poderia ter resultado diferente como em 1994 com o caso Reis Pacheco.

Claro que se por um lado a blogosfera trouxe mais democracia à comunicação com oportunidade de falas diferentes, por outro deu voz a muita bobagem e apresentou nosso maior problema hoje: as fake news. Mas é um preço pequeno a se pagar em nome da liberdade de imprensa e do acesso à informação. Para combater estes efeitos colaterais é que preciso separar o joio do trigo. Mas para isso, é preciso coragem e apontar o joio.

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