
Até o maior fenômeno de popularidade dos políticos tiktokers, João Campos, sofre dilema de candidatura ao governo em Pernambuco
A renúncia de um prefeito de capital do cargo para concorrer ao governo do estado é uma decisão sempre muito difícil. O jornal O Globo trouxe reportagem neste final de semana que mostra o tamanho da montanha que o prefeito tem que subir para enfrentar a máquina estadual mesmo quando bem avaliado na sua cidade. Apenas 30% dos que tentaram conseguiram trocar de Palácio no meio do mandato.
Um caso muito interessante é do prefeito de Recife, João Campos, o maior fenômeno de popularidade na Era dos Políticos Tiktokers. Campos praticamente inaugurou o modelo de políticos que usam a rede social com as trends que estão bombando. Fórmula praticamente imitada por todos os políticos mais jovens que estão em alta.
A reportagem de O Globo mostrou que até mesmo o pernambucano sofre com o dilema de deixar a prefeitura para concorrer ao governo, mesmo ele sendo o prefeito melhor posicionado no país para a disputa. Campos tem 51% de intenção de votos contra 31% da atual governadora Raquel Lyra, de acordo com a última pesquisa da Real Time Big Data do dia 11 de fevereiro (registro PE-09944/2026). Além da vantagem muito grande, Campos ainda tem a seu favor ser filho de Eduardo Campos e neto de Miguel Arrais, que foram governadores muito populares e isso o torna bem mais conhecido no interior do Estado. Ele anunciou desde a campanha de reeleição que seria uma prefeitura de meio mandato e começou a construir a campanha de governador.
Ainda assim, Campos tem contra si o peso da máquina estadual, que ele conhece bem como filho de ex-governador, e enfrentar uma governadora que vai para a reeleição com tendência já de crescimento. Na comparação com a última pesquisa da Real Big, Campos tinha 56% e Raquel 27%. A diferença começa a dimiuir.
Quando comparamos com o cenário do Maranhão, torna a decisão do prefeito Eduardo Braide ainda mais difícil. Braide segue o modelo de político tiktoker e é muito bem avaliado na capital do estado. Mesmo assim, o prefeito nunca conseguiu ultrapassar a marca dos 35% de intenções de voto e já começou o ano eleitoral tendo um empate técnico com o pré-candidato do governo, Orleans Brandão. Segundo a pesquisa Econométrica (registro MA-08591/2026), Orleans tem 33,9% e Braide 32,2%.
O prefeito de São Luís não preparou estrutura de campanha no interior, não fortaleceu lideranças, não se movimentou para conquistar forças de oposição ao governo Brandão em torno de seu nome.
A missão pra Braide se torna muito mais difícil do que a de Campos. A decisão do prefeito sobre candidatura tem que ser tomada até o dia 4 de abril.
Histórico de insucesso de prefeitos inclui o Maranhão
O histórico de prefeitos que deixaram a cadeira do executivo municipal para tentarem o governo levantado pelo O Globo inclui o caso do ex-prefeito de São Luís e ex-governador Jackson Lago. Quando deixou a cadeira em 2002 entregando a prefeitura para o vice, Tadeu Palácio, Jackson perdeu a eleição. Mas depois foi eleito em 2006, vinco a ser cassado depois em 2009, em um dos maiores traumas de tapetão da história política do estado.
Os únicos prefeitos que venceram foram Wilna Faria (Rio Grande do Norte – 2002), José Serra (São Paulo – 2006), Marcelo Deda (Sergipe – 2006), Ricardo Coutinho (Paraíba – 2010), Beto Richa (Paraná -2010) e João Dória (São Paulo – 2018). Apenas seis vitórias em 19 tentativas.










