UPAs recusam doentes levados pela prefeitura

Paciente não consegue atendimento no Socorrão por superlotação.

Matéria da Folha de São Paulo desta quinta-feira (19) trás um grande problema do sistema de Saúde de São Luís. O assunto na cidade já era de conhecimento público, e agora, é de conhecimento nacional. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não atendem pacientes levados pela Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), gerido pela Prefeitura de São Luís. Isto porque, simplesmente o governo exige que a prefeitura melhore seu atendimento.

Desta forma, o atendimento das UPAs segue tendo um alto padrãom, até por ter menos pacientes, enquanto pessoas ficam sem atendimento pela lotação dos dois Socorrões. Quem quer ser atendido em uma UPA tem de chegar por meios próprios, como carro ou mesmo a pé.

Para o Ministério Público, a proibição é resultado de disputa política: o prefeito João Castelo (PSDB) é adversário da governadora Roseana Sarney (PMDB) -o secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad, é cunhado de Roseana.

Isso já motivou casos de pacientes deixados pelo Samu perto de unidades estaduais, para depois seguirem de táxi ou carregados por parentes.

“[O impasse] Tem causado um transtorno muito grande ao sistema”, disse o promotor Herberth Figueiredo, que deve entrar com ação contra o Estado pedindo a abertura das UPAs ao serviço municipal.

O governo do Maranhão diz que acertou a proibição com a prefeitura, que nega.

O serviço tem 12 ambulâncias para socorrer urgências. O Estado dispõe apenas de veículos para transferir pacientes entre unidades.

Hoje, todos os pacientes transportados pelo Samu, inclusive os de menor complexidade, são levados diretamente aos dois prontos-socorros municipais. Os Socorrões, como são chamados, sofrem há anos com a superlotação. O modelo de UPA idealizado pelo ministério pretendia justamente desafogar os prontos-socorros.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Estado e município fizeram um acordo para que as UPAs “se abstivessem de receber pacientes do Samu, devido à superlotação das mesmas, decorrente da precária situação dos serviços da prefeitura”.

“A decisão vale até que a prefeitura invista nas suas unidades”, afirmou.

A prefeitura negou ter feito qualquer acordo.

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