Roseana Sarney deve renunciar em meio ao envolvimento no escândalo da Lava Jato

Do Jornal Pequeno

roseanaRoseana Sarney deixa o seu quarto mandato à frente do governo sob o signo de dois grandes escândalos nacionais que afetaram a imagem da governadora e também do Maranhão. O mais recente é o possível envolvimento direto da governadora do Estado com a Operação Lava Jato, que tem sido considerado o maior escândalo de corrupção do país. O outro, é a grave crise de Segurança Pública instalada no estado e sem qualquer indício de recuperação pelo atual Governo.

Anunciando a aliados que deixaria a chefia do Governo do Estado na semana que se inicia, Roseana Sarney deixa o comando da administração pública para o presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo (PMDB). Caso se concretize o anunciado pela governadora, Melo ficará no mandato tampão até o dia 1º de janeiro de 2015, quando passará a faixa ao ex-juiz federal Flávio Dino (PCdoB), eleito com quase 64% dos votos válidos no primeiro turno.

Na última quinta (04), Roseana Sarney abriu as portas da Casa de Veraneio do Governo do Estado para realizar uma espécie de Baile de Despedida. Após um longo período à frente do governo do estado, Roseana recebeu poucos convidados em sua festa privada realizada em um prédio público. Roseana Sarney não deu detalhes sobre os motivos que a levaram a deixar o governo a menos de um mês para o fim do mandato. Ela, porém, não passará a faixa ao governador eleito fazendo-lhe dura oposição.

Na última quinta (05), o Jornal Pequeno revelou com exclusividade que Roseana Sarney pretende deixar o governo do Estado para também deixar o Brasil e passar uma temporada nos Estados Unidos com a família. O caso, porém, pode ter relações com a Operação Lava Jato, que tem como um dos políticos denunciados a atual governadora do Maranhão. Uma das obras relacionadas ao escândalo nacional é a duplicação do sistema Italuís. Ainda não terminada, a obra deveria diminuir o racionamento de água na capital.

O envolvimento no escândalo do “Petrolão”

 O doleiro Alberto Yousseff, responsável pelas operações financeiras ilegais entre grandes empresas e políticos, foi preso em um hotel de São Luís em março de 2014. Ali estava uma grande pista do que viria pela frente. Logo, as investigações da Polícia Federal descobriram o envolvimento direto de Yousseff em operações ilegais no Maranhão.

A partir do depoimento da contadora Meira Poza, ficou-se sabendo dos detalhes da operação em que a alta cúpula do governo Roseana Sarney teria recebido propina para pagamento de precatório a uma empreiteira, no valor de R$ 120 milhões. O caso está sendo investigado pelo Superior Tribunal de Justiça.

Acusada de participação no maior escândalo de corrupção da história do país, Roseana Sarney deixará o governo e continuará sendo investigada pela Polícia Federal, agora sem o foro privilegiado que o cargo lhe dava direito. O juiz responsável pelo caso, Sérgio Moro, declarou que o caso Petrolão vai muito além da Petrobrás e atinge diversos gestores públicos.

O aumento da violência no Maranhão

Pedrinhas, a penitenciária que ficou conhecida em todo o Brasil pela extrema violência interna e pela agudização da crise que se alastrou entre o final de 2013 e o início de 2014, é só a ponta do iceberg do legado deixado por Roseana Sarney na área da Segurança Pública. O estado vive, hoje, o seu período mais violento.

Segundo dados do Mapa da Violência, a criminalidade cresceu 400% em 12 anos e a região metropolitana de São Luís vive sob o jugo de duas facções criminosas: o Primeiro Comando do Maranhão e o Bonde dos 40. No entanto, o governo do Estado não desencadeou nenhuma ação para conter o avanço na violência no Estado. Só em 2014, o número de homicídios na capital ultrapassou os 1000 mortos. Observando o crescimento da violência, a sociedade civil organizada criou o Observatório da Violência para organizar dados e apontar soluções para o problema no Estado.

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