A grande preocupação do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, com a urgente aprovação do orçamento pela Câmara Municipal de São Luís tem nome: carnaval. A não aprovação do orçamento não afeta em nada gastos com saúde, educação, obras ou o reajuste dos professores. O problema é o orçamento previsto da secretaria municipal de Cultura e o quanto ele é extrapolado somente com os gastos apenas em fevereiro.
Explica-se. A prefeitura de São Luís tem comumente feito isso. Faz uma estimativa de gasto na peça orçamentária para a secretaria municipal de Cultura muito aquém do que ela realmente gasta. Assim, passa grande parte do ano suplementando o orçamento da Secult e termina o ano com um gasto muito superior ao que previu. Por exemplo, em 2025, o Orçamento da Cultura para o ano todo era de R$ 26.966.004,41. Somente nos cachês dos shows do carnaval no ano passado, gastou R$ 9,5 milhões. Ao final do ano, o gasto da secretaria foi de R$ 119.321.346,06. Ou seja, foram R$ 92.355.341,65 somente em créditos suplementares. Um aumento de mais de 300% no que foi previsto.

Diferença entre o previsto e o gasto na secretaria de Cultura em 2025: mais de R$ 90 milhões em suplementação
Para 2026, o prefeito também fez uma previsão no orçamento extremamente aquém do que pretendia gastar de verdade. O orçamento de 2026 para a Cultura é de R$ 29.336.304,03. Mas, logicamente, irá passar dos R$ 100 milhões até o final do ano. E novamente o prefeito iria ajustar a fortuna gasta com cachês de bandas nacionais por meio de créditos suplementares. Até o momento, já foi pago R$ 1.117.042,04 e está empenhado R$ 8.704.000,00.

Braide também fez uma previsão de gastos na Cultura muito aquém do que pretendia gastar de verdade em 2026. Agora, precisa dos créditos suplementares
O prefeito está em uma enrascada para pagar os cachês milionários dos artistas – que só sobem ao palco quando o pix cai na conta – por conta da não aprovação do orçamento pela Câmara Municipal.
Enquanto o Orçamento não é aprovado, a prefeitura não pode abrir crédito suplementar e ela é obrigada a gastar todo mês 1/12 do valor previsto no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) para despesas correntes, salários e encargos, garantindo o funcionamento da máquina pública até a aprovação final. Não podendo ultrapassar esse limite efetuando suplementação neste momento.
A prefeitura precisa pagar adiantado o cachê dos artistas que irão se apresentar já a partir da próxima sexta-feira (13) e o tempo para poder suplementar o orçamento e começar a turbinar os recursos da secretaria municipal de Cultura joga contra.
Entre os cachês dos artistas e o pagamento do Instituto Maranhense De Atenção E Proteção Social, que é o “organizador” do Carnaval, os gastos passam de R$ 15 milhões.
O curioso é que os artistas do pré-carnaval estão com seus pagamentos empenhados, mas não não liquidados. Ou os agentes destes artistas resolveram confiar muito na palavra do prefeito ou receberam de alguma forma não contabilizada para depois ser feito o lançamento da liquidação assim que Braide conseguir destravar a suplementação do orçamento.

Pagamentos empenhados pela Secult para os artistas do Pré-carnaval